cerâmica | pesquisa | escrita
artistas e professoras residentes
No ateliê, as artistas-professoras residentes somam seus conhecimentos e experiências à nossa comunidade, trazendo para as aulas e oficinas suas próprias linguagens, pesquisas e poéticas.
Como ateliê de arte, acreditamos na pluralidade de perspectivas e entendemos o ensino como parte da prática artística. Por isso, cada professora é convidada com muito critério, com base na consistência de sua trajetória e de sua pesquisa em cerâmica. Aqui, diferentes modos de fazer, pensar e se relacionar com a cerâmica podem coexistir.

Artista-Professora Residente
ALICE BOMBARDI
Mestra em Artes pela UNESP (2026), com foco em Processos e Procedimentos Artísticos, especialmente em técnicas de queimas artesanais em cerâmica. Tenho formação (licenciatura e bacharelado) em Artes Visuais pela mesma universidade. Sou curiosa sobre os modos de fazer artesanal, atentando-me sempre ao que os materiais disponíveis têm a dizer no processo de obras artísticas. Desde 2023, minha atuação envolve a construção e queima em fornos a lenha, processos que integram uma de minhas investigações artísticas sobre território e vivências relacionais. Compreendo todas as etapas da cerâmica como mediadoras e convites à transformação nos sujeitos que participam e vivem a experiência, e entendo que a queima cerâmica é um convite por essência interdisciplinar. Minha produção artística abrange o bi e o tridimensional, manifestando-se na pintura, no desenho e na modelagem com argila. Nas minhas obras bidimensionais, crio representações de paisagens imaginárias. Já na modelagem, demonstro fascínio por texturas de árvores e pela criação de miniaturas de animais e plantas. Recentemente, tenho me dedicado também à representação e modelagem de narrativas ancestrais, com foco especial nos mitos de origem do mundo, particularmente aqueles da América Latina.

Artista-Professora Residente
Beatriz isidoro
Sou artista visual e ceramista. Atualmente sou mestranda na linha de Pesquisa de Processos e Procedimentos Artísticos na Unesp, na qual investigo minhas conexões ancestrais com a cerâmica presente na história da minha família, originária do Piauí. Sou formada em Licenciatura e Bacharelado em Artes Visuais pela mesma instituição. Desde que comecei a fazer cerâmica, senti a necessidade de me aprofundar nos aspectos técnicos e nos diferentes materiais que envolvem esse fazer. Gosto de compreender o porquê das coisas. Desde 2022 produzo cerâmicas atravessadas pelo afeto, nas quais aparecem histórias e imagens que permearam meu imaginário infantil como filha de nordestinos. Produzo potes, panelas e outras peças utilitárias em técnicas manuais e, mais do que ver a peça pronta, é o processo do fazer que me encanta. Atualmente minha produção se concentra na linguagem tridimensional, embora eu também utilize a superfície da cerâmica para desenhar e pintar com materiais cerâmicos. Tenho experimentado ainda a aproximação entre utilitários e objetos escultóricos ligados à minha relação com a terra, nos quais o tatu aparece como presença recorrente nas investigações sobre barro, território e ancestralidade.

Artista-Professora Residente
GABi CERVEIRA
Sempre gostei das coisas e dos bichos. Quando criança, desmontava objetos e os remontava em LEGO, para desespero da minha mãe, que em certa ocasião ficou por algum tempo sem conseguir usar o controle remoto da TV. Mas eu não parava por aí, também me dedicava a produzir miniaturas de Pokémons em massinha de modelar. Contrariando o bom senso, a combinação dessas habilidades me
levou a acreditar que seria uma boa ideia me tornar designer de produtos. Aos 21 anos, mudei sozinha de país pela primeira vez para cursar a graduação em Industrial Design na OCAD University, no Canadá. Foi lá que tive minhas primeiras experiências com a argila. Apesar do frio, cursar a graduação no Canadá foi uma experiência que guardo com muito carinho. Após me formar, trabalhei com design nos Estados Unidos até retornar ao Brasil. Aqui concluí um mestrado com foco em sustentabilidade e nessa época conheci pessoas maravilhosas que me levaram de volta para a cerâmica. Em 2022, vendi minha moto e comprei um torno — troquei duas rodinhas por uma, e esse foi provavelmente um dos melhores negócios da minha vida. E é, na maior parte do tempo, atrás dessa ferramenta que continuo explorando a materialidade da argila, seu tempo, suas cores e as infinitas formas que um objeto redondo pode ter. Sigo sendo a mesma pessoa interessada nos objetos cotidianos e nas histórias que eles contam, sejam eles feitos de argila ou não.

Assistente Residente
Beatriz scatolin
Teve um dia em que senti a água gelada do mar perfurar meus tornozelos, fazendo com que consciência sobre a vida fosse despertada dentro de mim. "Estou aqui, viva", pensei, "pois sinto a água ultrapassar minha pele. Desde então, minha pesquisa se baseia no conceito do formalismo russo, "O Estranhamento Familiar", desenvolvido por Viktor Chklovski, que carrega a ideia de nunca se acostumar com o que nos cerca, especialmente o ordinário. Busco aprofundar e defender essa teoria no espaço acadêmico e nas produções em cerâmica, pintura e ilustração.